Pé diabético: estado psicológico, evolução e cicatrização

Investigação levada a cabo por psicólogos da Universidade de Nottingham (Reino Unido) mostra o impacto das crenças e expectativas dos pacientes portadores de úlceras nos pés sobre o processo de cicatrização dessas feridas.

Esse estado psicológico e emocional impacta também na sobrevida desses pacientes. Esse estudo foi publicado na revista PLoS ONE e confirma o resultado de outros estudos que demonstram "o impacto negativo da depressão e da ansiedade sobre os resultados clínicos independentemente da qualidade do acompanhamento e dos cuidados".

Aliás, temos verificado na prática diária no tratamento das feridas cônicas, como o estado emocional dos pacientes pode interferir positiva ou negativamente na evolução da cicatrização.

Sabemos que os pacientes diabéticos, quer seja tipo 1 ou 2, enfrentam um risco oito vezes maior de sofrer algum nível de amputação quando comparados com a população não diabética.

Além disso está documentado que um em cada quatro portadores de diabetes vai desenvolver uma ferida ao longo de sua vida e 85% das amputações são precedidas por essas feridas.

Tudo isso decorrente do acometimento neurológico e/ou circulatório (vascular) na região das pernas, dos pés ou ambos.

Nesse estudo da escola de Medicina da Universidade de Nottingham (que é uma escola pública), 169 pacientes diabéticos, com idade média de 65 anos, foram acompanhados durante cinco anos.

Todos foram entrevistados regularmente e eram feitas avaliações com relação à evolução de suas úlceras.

A intenção dos pesquisadores era testar a hipótese de que perspectivas, crenças e emoções negativas sobre os sintomas e os cuidados aplicados poderiam levar esses pacientes a uma expectativa de vida mais curta.

Além de todos os dados concernentes ao controle do diabetes e tratamento das feridas, os pacientes eram também avaliados quanto ao nível de depressão.

O tratamento das feridas seguiu o mesmo protocolo para todos os 169 pacientes.

Dados sobre mortalidade e sobrevida foram coletados entre 4 e 9 anos do início do estudo.

Em 9 anos 104 pacientes estavam vivos e ocorreram 56 óbitos.

Seis pacientes, por alguma razão, não concluíram a pesquisa.

Um em cada três desenvolveram infecção de suas feridas.

A análise mostrou que os níveis de depressão estavam associados à sobrevida.

Entre os que faleceram no decorrer do estudo, a depressão e as expectativas negativas estavam fortemente presentes.

Ou seja, os pacientes com postura e emoções mais negativas quanto aos seus sintomas e à sua ferida chegam ao mais precocemente.

Podemos daí concluir o quão relevante é o esclarecimento ao paciente.

Procurar, em conjunto com os familiares, resgatar a autoestima e o autocontrole emocional.

Muitas vezes poderá ser necessário o suporte psicológico especializado.

A atitude do paciente com relação ao enfrentamento do diabetes e ao que está sendo proposto para os seus curativos, seus calçados, seus cuidados de higiene, etc. precisa ser o mais positiva possível.

A interação - positiva ou negativa - entre a mente e o corpo podem determinar o sucesso ou o fracasso do tratamento.

Dr. José Amorim de Andrade

Fonte: https://www.e-pansement.fr/actualites/ulcere-du-pied-diabetique-pourquoi-lattitude-du-patient-est-determinante

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