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  • Jose Amorim de Andrade

Mais Médicos - pior do que se esperava


Desde que Cuba saiu do Maís Médicos o alerta vinha sendo feito: a taxa de desistências dos brasileiros é alta e o número animador de inscrições nas duas rodadas de seleção não queria dizer muita coisa.

Pois a quantidade de médicos que já saíram do Programa conseguiu superar as expectativas. Segundo a reportagem de Natália Cancian na Folha, foram pelo menos 1.052, ou 15% dos 7.120 que assumiram desde dezembro.

O tempo de permanência dos desistentes variou de uma semana a três meses. Nos últimos anos, a média era 20% de saídas em até um ano.

O cenário fica ainda pior quando se lembra que o Ministério da Saúde já anunciou que não vai mais abrir vagas nos atuais moldes.

Existe uma reformulação do programa em pauta, mas ainda não se sabe exatamente o que vai ser feito, muito menos quando haverá novas contratações. A pasta disse em nota que as vagas "poderão ser ofertadas em novas fases do provimento de profissionais ainda em análise".

Os gestores ouvidos por Cancian estão preocupados, com razão.

Os principais motivos para a saída dos médicos foram a busca por outros locais de trabaho e por cursos de especialização e residência médica.

As cidades mais afetadas são aquelas em que mais de 20% da população vive em extrema pobreza. Vieram delas 31% das desistências.

Mas em segundo lugar estão capitais e regiões metropolitanas (com 20% do total). Mauro Junqueira, representante dos secretários municipais de saúde, notou que as vagas do Mais Médicos nas cidades grandes em geral estão em bairros pobres e violentos.

Já Mário Scheffer (USP) lembrou ainda que, nelas, há mais vagas de trabalho para as quais esses médicos podem ter migrado.

Matéria publicada em: Outra Saúde


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